13 fevereiro 2016

Meditando sobre eleição.

Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.“ (1 Pedro 1:1,2)

Em vários versos seguintes Pedro usa a mesma palavra e nos conta que a morte de Cristo foi “pré-conhecida” por Deus. Em qualquer sentido Deus sabia com certeza que o Cristo viria e morreria na cruz; da mesma forma Deus “conheceu de antemão” que os eleitos seriam salvos. É interessante notar que algumas versões utilizam a palavra “conhecido” enquanto outras traduzem como “escolhido”. O contexto está falando sobre a morte de Cristo:

“o qual [Cristo], na verdade, foi conhecido ainda antes da fundação do mundo...” (1 Pedro 1:20 NVI) 

“Ele [Cristo] foi escolhido por Deus antes da criação do mundo...” (1 Pedro 1:20 NTLH) 

Seria ridículo dizer que Deus decidiu enviar Cristo ao mundo porque Ele “previu” que Cristo viria ao mundo e morreria. Deus não “escolheu” enviar Cristo porque Ele “previu” que pecadores O condenariam à morte. Deus soberanamente propôs enviar Cristo e o próprio Deus foi o autor da morte de Cristo. No mesmo sentido, Deus soberanamente propôs a salvação individual dos eleitos e somente Ele é o único autor e consumador de nossa salvação individual. Deus preordenou minha salvação exatamente da mesma forma como Ele preordenou a morte de Cristo.

Não  estamos sugerindo que presciência não inclui conhecimento de antemão e até pode, em alguns casos, significar isso. Estamos dizendo que no verso discutido (assim como em outros) a palavra só pode significar preordenação.

Esses versos das Escrituras devem ser tomados como um ato de Deus e não apenas a habilidade de ver o futuro.

Talvez uma ilustração possa ajudar. Um arquiteto tem perfeito “pré-conhecimento” de todo prédio que ele desenha. Ele “pré-conhece” exatamente quão grande será, quantas janelas e portas terá e todos os outros detalhes. Ele vê o tipo de trancas que será usado, e até mesmo sabe a cor do piso dos andares. Agora, como o arquiteto “pré-conhece” tudo isso com certeza antes ainda do trabalho começar? De acordo com nossos amigos arminianos, o arquiteto tem a habilidade de ver o futuro. Ele “prevê” que engenheiro receberá o trabalho de construir o prédio. O arquiteto também prevê que tipo de janela este engenheiro em particular usará quando forem apresentadas várias opções. Com base neste “pré-conhecimento”, o arquiteto “escolhe” este tipo de janela em seus planos. O mesmo acontece com o resto do prédio. Como a “presciência” do arquiteto inclui tudo no prédio, ele é capaz de incorporar na planta todas as coisas que ele “prevê” que vários engenheiros “escolherão” fazer.

Qualquer ser pensante riria ao ouvir isso e diria: “John, essa idéia é completamente sem sentido”. É claro que é. Entretanto, não é mais sem sentido que a tentativa arminiana de refutar a eleição bíblica ao dizer que Deus nos escolhe porque ele previu que nós creríamos. Todos nós sabemos que o pré-conhecimento do arquiteto de como será um prédio é baseado em seus planos e propósitos. Se nós formos verdadeiramente honestos com as Escrituras, nós saberemos que o pré-conhecimento de Deus sobre quem crerá é inteiramente fundamentado em Seus planos e propósitos e não num conhecimento prévio da vontade do homem.

Uma comparação entre dois versículos da Escritura irá comprovar claramente o que já foi dito. Ambos os versos usam a palavra “escolheu”. No primeiro versículo, Davi “escolhe” algumas pedras e no segundo versículo, Deus “escolhe” algumas pessoas. Aqui estão os dois textos:

“e em seguida [Davi] pegou seu cajado, ESCOLHEU no riacho cinco pedras lisas, colocou-as na bolsa, isto é, no seu alforje de pastor...“ (1 Samuel 17:40) 

“Porque Deus nos ESCOLHEU nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.” (Efésios 1:4) 

Alguém seria capaz de acreditar que as cinco pedras foram escolhidas por Davi porque elas tinham de alguma forma comunicado a Davi que elas “desejavam ser escolhidas”? É claro que não! Toda pessoa, sem exceção, leria 1 Sm 17:40 e entenderia que Davi, por razões conhecidas somente por ele, escolheu pedras específicas que queria usar. Por que as pessoas não permitem que a palavra “escolheu” tenha o mesmo significado quando se refere a Deus escolhendo pecadores? Nossos corações eram tão duros e mortos quanto as pedras no riacho. Deus soberanamente nos escolheu individualmente de acordo com Seu bom propósito da mesma forma que Davi escolheu estas cinco pedras. Deus não viu um “desejo” em nós como Davi viu um “desejo” naquelas pedras. É impressionante o quanto a Bíblia é clara em ensinar sobre a Eleição se nós simplesmente deixarmos o texto significar o que ele realmente diz.

(não sei a autoria desse texto)

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